Revista Ambiente Urbano - Ano 1 - nº05 - Junho de 2006
Escrito por Fernanda Correia
Meio Ambiente é uma questão social
Para que uma sociedade se desenvolva de forma sustentável é necessário que três elementos estejam em equilíbrio: produção e desenvolvimento responsáveis, proteção ambiental e combate à má distribuição de renda.
Houve um tempo em que a poluição emitida pelas chaminés das fábricas era sinônimo de progresso e desenvolvimento econômico.
Na verdade, foi assim que os países – principalmente de terceiro mundo – assistiram ao crescimento de sua economia: à medida que ocorria uma rápida industrialização, proporcionando altos lucros a uma pequena parcela da sociedade, os números da desigualdade social e degradação ambiental também cresciam paralelamente.
Foi a partir da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada em 1972, na cidade de Estocolmo, que esse conceito de desenvolvimento começou a se modificar. Hoje, 34 anos depois, entende-se que não é mais possível permitir um sistema de produção exploratório, afinal, o planeta precisa estar sadio para que as pessoas de hoje e das próximas gerações possam promover justiça social e democracia.
Por isso surgiu a idéia de desenvolver técnicas ou sistemas que utilizem os recursos sem comprometer o meio ambiente. É evidente que a natureza não tem condições de gerar a matéria-prima e ainda absorver os resíduos que retornam ao ecossistema em forma de contaminantes, por isso, é essencial que as empresas adotem tecnologias para continuar produzindo sem comprometer a vida, que é o maior bem a ser resguardado.
Além disso, um modelo de desenvolvimento calcado na exploração irracional e predatória dos recursos naturais é também insustentável do ponto de vista social, pois dificulta o acesso de pessoas a questões básicas, como educação, alimento, água potável de qualidade, saneamento, saúde etc. Além disso, fica difícil esperar dos que sobrevivem em condições desumanas uma preocupação em promover benfeitorias pelo meio ambiente, já que não possuem nem mesmo condições de melhorar suas próprias vidas.
Isso fica claro no caso das cidades, quando observamos que as pessoas mais carentes habitam os locais mais propícios à degradação ambiental, como beiras de córregos e mangues, declives e topos de morro, áreas de manancial ou consideradas de risco. Se não houvesse pobreza e exclusão, com certeza esses locais seriam bem mais protegidos.
Como resolver isso?
A educação e a mudança de hábitos são os melhores caminhos.
A mudança, no sentido de haver uma relação mais harmônica entre o meio em que se vive e o próprio ser humano. É preciso rever valores, adotar novos hábitos e buscar a sintonia com outras pessoas da sociedade que também buscam melhorias que influenciem as políticas públicas e empresariais por um ambiente equilibrado e uma sociedade mais justa. É preciso partir do princípio de que nada vive isolado na natureza: um ser interdepende de outro para sobreviver.
Se uma região sofre pelos maus-tratos da poluição, conseqüentemente não terá mais condições de gerar matéria-prima, pois a biodiversidade desaparece, os rios secam, as inundações se tornam freqüentes, a erosão do solo cresce, enfim, cria-se um cenário perfeito para a desigualdade e a pobreza, pois, como disse certa vez Klaus Toepfer, diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), “é preciso ter capital natural para ganhar a luta contra a pobreza”. É também por meio da educação que poderemos atingir a meta do desenvolvimento sustentável, que tanto se fala ultimamente.
Esse modelo consiste em criar ações para que o crescimento econômico não esgote nem degrade os recursos naturais. E a responsabilidade de colocar esse modelo de desenvolvimento em prática, não deve partir só de cima, dos políticos, mas também da sociedade, afinal, nós somos a máquina que impulsiona esse país.
Da mesma forma que temos o poder de eleger políticos e cobrar que sejam promovidas ações para o nosso benefício, também temos o poder de decidir pelo consumo de produtos ou serviços de empresas que se preocupam com a igualdade na distribuição de riquezas, que utilizam os recursos naturais com responsabilidade e que oferecem boas condições de trabalho a seus funcionários. Afinal, se não for dessa maneira, a nossa sociedade e, principalmente, os mais necessitados, serão os maiores prejudicados.
Bases para um desenvolvimento sustentável
Para que alcancemos um modelo de desenvolvimento capaz de gerar riqueza, sem comprometer a capacidade de produção futura, é preciso considerar alguns fatores:
• Que se polua cada vez menos; • que se recicle cada vez mais; • que se recupere tudo o que foi danificado na natueza pelas atividades humanas; • que se aumentem os reflorestamentos; • que se conservem solos agrícolas; • que se desenvolvam formas de energias renováveis; • que se aumente a eficiência das conversões de energia; • que se reestruture a dívida dos países pobres; • que se promova o desenvolvimento sustentável. *pontos extraídos do livro Equilíbrio ambiental e resíduos na sociedade moderna (ed. Faarte)