Revista Ambiente Urbano - Ano 1 - nº05 - Junho de 2006
Escrito por Fernanda Correia
A arte de transformar lixo em riqueza
Com patrocínio da Petrobras, Associação Vira-Lata (SP) usa papel para fabricar telhas. Além de preservar o meio ambiente, iniciativa gera trabalho e renda.
A capacidade de enfrentar desafios e descobrir oportunidades foi fundamental para que a Associação Vira-Lata (SP) transformasse “lixo” em riqueza.
Com o apoio da Petrobras, a organização não-governamental começou a fabricar em um galpão de 600 m 2 , no bairro do Jaraguá, na capital paulista, telhas feitas de papelão e betume asfáltico.
Além de preservar o meio ambiente, a iniciativa prevê gerar mais trabalho e renda à população atendida pela ONG. Antes da abertura da fábrica, jornais, revistas e papelão misto passavam por triagem e eram vendidos por R$ 0,12/kg. Agora, o resíduo é reutilizado e transformado em telha, que tem preço de mercado de R$ 8 a R$ 10 a unidade. “É uma revolução de preservação ambiental e inclusão social”, afirma Wilson Santos Pereira, presidente da Associação Vira-Lata.
Para os catadores, a expectativa é de aumento de renda, enquanto que para o consumidor é uma opção de material mais barato comparado a similares no mercado.
Além de preço acessível e ecologicamente correto, o produto é bom isolante térmico, tem durabilidade de, em média, 15 anos e é leve e flexível. A telha é usada para coberturas em geral, como casas e galpões industriais. Cada unidade pesa 3 kg e mede 1,6 m de comprimento, 60 cm de altura e 3 mm de espessura.
A associação vai fabricar 22 mil telhas a partir de junho, com estimativa de dobrar a produção em quatro meses. Hoje, a ONG atende cerca de 70 pessoas. Com a produção da telha ecológica a todo vapor, a previsão é beneficiar cerca de 330 trabalhadores ligados a uma rede de comercialização de materiais de recicláveis, o que reforça a política de economia da Associação Vira-Lata.
Associação Vira-Lata
O projeto foi iniciado em 1998, com coleta seletiva e educação ambiental no Jardim Boa Vista. Naquela época, o grupo recolhia três toneladas de resíduos por mês. Em 2001, foi instituída a associação, que hoje tem ações difundidas por diversos bairros de São Paulo – Moema, Campo Belo, Itaim Bibi, Pinheiros, Butantã, Jaguaré, Vila Sônia, Morumbi e Raposo Tavares –, abrangendo 10,5 mil domicílios (o equivalente a uma população de 46 mil pessoas).
Os materiais recicláveis vêm de escolas, empresas, parques públicos e residências. Atualmente, a ONG coleta 100 toneladas de recicláveis por mês, das quais 78 toneladas são comercializadas, gerando renda aos cooperados e a sustentabilidade do projeto.