Revista Ambiente Urbano - Ano 2 - nº17 - Junho/Julho de 2007
Escrito por Adriano Calhau
Servir faz parte da natureza humana
Quando se fala em ser voluntário, na maioria das vezes, o que vem à mente é que isso é para pessoas engajadas, altruístas, especiais e admiráveis. E na realidade são, mas não deveria ser tão raro e surpreendente encontrar pessoas com estes princípios.
Nós admiramos essas pessoas, porque no mundo atual o ser humano está tão afastado de sua essência que, quando encontramos pessoas que fazem o bem, sem esperar nenhum tipo de retorno material, o espanto e a admiração são inevitáveis. Na verdade, isso não deveria ser assim. Ajudar alguém que não temos vínculo afetivo deveria ser algo tão natural, assim como criar um filho ou ajudar alguém dentro de nossa própria família. E por que não é assim que vivemos?
Na verdade, o ser humano se esqueceu de uma lei básica no Universo: todos estamos conectados em uma espetacular rede de relações, que nos faz de verdade ser como células dentro de um só organismo. A interdependência de um ser humano com o outro é uma realidade. Tudo que está ao nosso redor tem milhões de pessoas envolvidas.
Faça um teste. Pergunte a você mesmo quantas pessoas participam do seu dia direta ou indiretamente. Quantas pessoas estão envolvidas para que a comida chegue até seu prato.
Você vai perceber que são milhares, talvez milhões. É praticamente impossível considerar quantas pessoas estão ligadas a nós nesse sentido, mas é possível perceber que estamos de fato ligados uns aos outros, queiramos ou não, tanto para as coisas positivas como para as negativas. Quando começamos a nos esquecer que somos um só organismo, interligados nesta imensa rede de relações, aí começam a surgir os problemas.
As pessoas, na ânsia de saciar seu desejos com auto gratificações (coisas que vão alem do básico), passaram a se fechar em um mundo onde não existe mais tempo e tampouco energia para perceber e trabalhar na manutenção desta rede de relacionamentos. É o que chamamos de egoísmo, com suas nefastas conseqüências.
Desta forma, o ser humano, que no princípio da humanidade, se uniu ao outro para vencer a fome, o frio, os perigos e o medo, começou a se separar e, conseqüentemente, começou a ficar mais fraco e vulnerável. Reflexo que hoje se mostra em nossa sociedade tão desigual e violenta.
Agora, quando vemos pessoas que se tornam voluntárias, na verdade estamos nos deparando com gente que quer ver uma sociedade unida. Gente que percebeu que a lei o universo é o serviço. Que primeiro é preciso dar para poder receber (existe lei mais básica que esta?).
Portanto, se você quer realmente fazer alguma coisa por você, por sua família, pela natureza comece a perceber esta ligação que existe entre todos e dê um sinal de que você quer curar e unir o mundo ao seu redor.
Se apresente ao serviço fazendo aquilo estiver ao seu alcance, utilize seus dons e talentos da melhor forma. Não existe gratificação maior do que poder fazer aquilo que sua nossa natureza pede.
Cada um faz aquilo que pode e nada é pequeno demais quando se faz com o coração. É só querer!