Hoje é Quarta-Feira 07 de janeiro de 2009 Newsletter
     
Os impactos que os automóveis causam

Revista Planeta Cidade - Ano 2 - nº17 - Junho/Julho de 2007
Escrito por Felipe Rifa

__________________________________________________________________________________________

Os veículos são os principais responsáveis pelas doenças respiratórias, comuns no inverno.

Com a chegada do inverno, quando o tempo está mais seco pela falta de chuva e com poucos ventos, a poluição nos grandes centros urbanos não consegue se dispersar e causa um grande acúmulo de partículas no ar.

Os pesquisadores do Laboratório de Poluição da Faculdade de Medicina da USP avaliam que as pessoas tenham em média dois anos a menos de vida em razão dos problemas respiratórios causados pela poluição do ar.

O meteorologista da divisão de Qualidade do Ar da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), Ricardo Anazia, confirma que no inverno a concentração de poluentes na atmosfera é maior.

Estes poluentes, nocivos à saúde, aceleram as causas de mortes por doenças respiratórias, principalmente nos idosos. Os pesquisadores da USP dizem que o risco de ter câncer de pulmão é10% maior para quem mora em uma cidade como São Paulo, por exemplo.

Não Respire

A poluição em níveis elevados pode provocar doenças pulmonares obstrutivas crônicas, como asma, bronquite e sinusite. Segundo o Instituto do Coração, a cada 100 consultas realizadas no hospital, 12 estão relacionadas à má qualidade do ar.

A Organização Mundial da Saúde alerta quanto ao problema, que já mata 1,5 milhão de pessoas anualmente - mais que a AIDS.

Em termos gerais, de 5% a 10% das pessoas morrem de causas naturais aceleradas por causa da poluição. Em São Paulo, onde morrem em média 110 pessoas por dia, ocorrem cerca de 10 mortes diárias causadas pelos poluentes do ar.

Fernando Fagundes de Gouveia, 21 anos, morador de São Bernardo, sofre de bronquite e conta que no inverno é quando mais sente os sintomas de sua doença. “Tem dias que preciso fazer inalação para conseguir dormir”.

Os Poluentes

O gases que têm maiores concentrações são os que têm partículas, como o monóxido de carbono, porém existem outros gases que também são nocivos, como o ozônio. O ozônio não é um poluente emitido diretamente pelos veículos.

Ele é formado por uma reação fotoquímica a partir do NO2 – emitido pelos veículos - em reação com o O2 e a radição solar. O ozônio tem a importante função de proteger a Terra, como um filtro, dos raios ultravioletas emitidos pelo Sol. Ele fica na estratosfera (a cerca de 25 km de altitude) provocando a diminição da visibilidade.

E ao contrario dos demais poluentes, o ozônio se dá longe das vias de trafego, mas dentro da região metropolitana, “o Parque do Ibirapuera, no fim da tarde, a concentração de ozônio é maior que na Marginal”, comenta o técnico da Cetesb. Além de prejuízos à saúde, o ozônio pode causar danos à vegetação.

É sempre bom ressaltar que o ozônio encontrado na faixa de ar próxima do solo, onde respiramos, chamado de “mau ozônio”, é tóxico.

Transporte Público

Uma característica muito peculiar da cidade de São Paulo é o fato de mais pessoas se transportarem por meio de automóveis do que por transportes coletivos. Em qualquer outra grande cidade do mundo, o transporte coletivo é prioridade.

De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), no País são mais de 2,21 milhões de veículos circulando; somente este ano, já foram licenciados mais de 540 mil veículos, quase um carro para cada morador de Santo André.

Talvez por conseqüência de um sistema de transporte público ineficaz, ou pelo individualismo das pessoas, em São Paulo, temos a mais baixa média de ocupação de veículo do País: em média 1,2 pessoa por veículo circula diariamente na cidade.

Imagine que uma tonelada de aço precisa se movimentar para carregar um passageiro que pesa em torno de 70 kg. Não é necessário ser um engenheiro para entender a ineficiência desse tipo de transporte.

Um equipamento que gasta 90% da sua força para deslocar a si mesmo não é algo que se diga: “puxa, que eficiência!”, mas é aceitável que algumas pessoas utilizem apenas os carros e não as demais formas de transporte.

Este problema merece atenção, não só pelos efeitos do aquecimento global, mas pelos problemas causados pelo excesso de veículos nas ruas. Nos últimos 10 anos, a população aumentou cerca de 12%, enquanto que a frota de veículos aumentou 70%.

Essa forma de locomoção dos paulistas não é sustentável e está gerando enormes desafios à população, como congestionamentos e a criação das não-cidades, espaços construidos para os carros e não para as pessoas.

Proconve

Diversas medidas já foram tomadas para a redução nos níveis de poluentes.  A Cetesb, em convênio com o Ibama, implantou em 1986 o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve).

Desde então, a indústria automobilística passou a investir em tecnologias, como catalisador, injeção eletrônica de combustível e melhorias nos combustíveis automotivos, para reduzir os poluentes. Hoje, os veículos novos emitem 97% menos poluentes.

Mas, para isso, todos os modelos de veículos nacionais e importados são submetidos a rígidos ensaios de laboratório, onde as emissões reais são quantificadas e comparadas aos limites máximos em vigor, para a homologação quanto à emissão de poluentes. “As concentrações têm apresentado queda nas concentrações materiais de partículas e hoje são poucos os dias que excedem os limites aceitáveis graças ao programa”, comenta Ricardo Anazia.

As Motocicletas

O Proconve vem desenvolvendo ferramentas para a redução da poluição; entretanto, o plano não abrange as motocicletas. Segmento que cresce anualmente 15,2% nas vendas e de 12,2% na produção, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo).

É importante que exista um programa de controle para as motocicletas, pois, enquanto um carro roda em média 30 quilômetros por dia, as motos de entrega percorrem até 180 quilômetros. No final, uma moto pode poluir tanto quanto 120 carros. “As motos poluem mais porque não têm a tecnologia que retém esses poluentes.” comenta Anazia.

Manutenção

Mesmo com todos os esforços para reduzir a poluição do ar, a frota de veículos antiga e a falta de inspeção veicular ainda são os grandes responsáveis pela emissão de poluentes. Estudos da Cetesb indicam que 10% da frota é composta por carros antigos, sem manutenção, e somente esses veículos são responsáveis por 50% das emissões totais de poluentes na atmosfera.

O mecânico Rafael Costa de Oliveira aconselha sempre fazer a manutenção preventiva do veículo: “é bom trocar as velas do motor com freqüência, pois quanto melhor for a queima do combustível, menos resíduos ele produzirá”. Além disso, procure sempre abastecer o veículo com combustível de boa qualidade, não quebre o lacre da bomba injetora do veículo e repare na tonalidade da fumaça.

O que fazer

Caso o uso do transporte seja necessário, procure utilizá-lo com consciência, evitando o gasto desnecessário de combustível e combinando carona entre as pessoas que fizerem o mesmo trajeto. Isso não só reduz a quantidade de veículos nas ruas como também pode ser um momento agradável do seu dia.

E, neste inverno, evite os problemas causados pelo ar seco tomando alguns cuidados, como deixar sempre um recipiente com água no quarto de dormir e beber no mínimo dois litros de água por dia. Além de ajudar na respiração, beber água também ajuda a manter a hidratação da pele.

Em tempos de clima seco, outra orientação importante é não usar roupas guardadas há muito tempo, sem antes lavá-las ou colocá-las ao sol.

Saiba Mais

www.sociedadedoautomovel.cjb.net
http://www.conpet.gov.br/poluicao
www.cetsb.sp.gov.br

Comentarios (0)Add Comment

Escreva seu Comentario

busy
 
Ação Socioambiental
Palestras e Ações Socioambientais que realizamos
Campanha Ecologia Também se Aprende na Escola
Triângulo
Vídeo Institucional
Vídeo Institucional
Assista nosso vídeo Institucional
Patrocínio
 
Aumentar Fonte Diminuir Fonte Fonte Padrão FAQ - Dúvidas