Revista Planeta Cidade - Ano 1 - nº09 - Outubro/Novembro de 2006 Escrito por Fernanda Correia __________________________________________________________________________________________
Uma empresa socialmente responsável é aquela que se preocupa não só consigo mesma, mas que promove iniciativas para minimizar o quadro de pobreza, desigualdade e devastação dos recursos naturais, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e qualidade de vida no planeta.
Durante anos as empresas trabalharam impulsionadas pelos objetivos do sistema capitalista, ou seja, produzir e comercializar seus produtos ou serviços visando a obtenção de lucro e, conseqüentemente, a maximização da riqueza dos seus proprietários.
Aos poucos as empresas começam a mudar esse conceito, passando a participar mais da vida de seus funcionários e da comunidade, buscando o bem-estar de todos que estão ao seu redor, inclusive do próprio meio em que estão inseridas.
De forma bem resumida, podemos dizer que esse tipo de atitude é a tal Responsabilidade Social Empresarial (RSE), que tanto se fala ultimamente.
As empresas com essa consciência entendem a necessidade em atuar onde o governo é ineficiente, exercendo a cidadania e contribuindo para a redução dos déficits de desigualdades existentes em nosso país.
De acordo com o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social a empresa socialmente responsável é aquela que possui a capacidade de enxergar os interesses das diferentes partes (acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio ambiente) e consegue incorporá-los ao planejamento de suas atividades, buscando atender as demandas de todos, não apenas dos acionistas ou proprietários.
E é justamente para isso que as empresas começam a despertar. As que já adotam uma política de RSE notaram que, quando realizadas de forma autêntica, essas ações contribuem positivamente não só para a sociedade, mas também para si mesma.
No entanto ainda há muito para ser feito nesse sentido. Na opinião do presidente da Associação Comercial e Industrial de Santo André (Acisa), Zoilo de Souza Assis, ainda falta muita consciência, principamente com relação aos temas meio ambiente e educação. “O mundo ainda não acordou para o que estamos vivendo.
Infelizmente ainda são poucas as pessoas tem uma visão ampla da Responsabilidade Social Empresarial”, avalia.
Consumidor Consciente
O poder de compra que a sociedade tem nas mãos é um dos meios mais decisivos para forçar a mudança de postura de uma empresa ainda pouco atenta para a Responsabilidade Social Empresarial.
Quando optamos comprar daquelas que possuem os conceitos éticos bem definidos (afinal, o consumo nada mais é que uma relação de confiança e credibiliade) não só estamos praticando uma boa ação como também incentivando essa empresa a ampliar suas ações de RSE.
Graças à facilidade de acesso a informação, o consumidor tem se tornado mais crítico e exigente desejando, cada vez mais, consumir de empresas comprometidas com a qualidade dos produtos, que investem em processos de produção responsáveis e que valorizam seus funcionários e colaboradores. Como exemplo podemos citar a Basf. Nos últimos quatro anos a companhia destinou cerca de R$ 11,8 milhões para a manutenção de seus projetos de responsabilidade social.
Esse investimento possibilitou que vários projetos se viabilizassem, como a Fundação Espaço Eco – um espaço, localizado em São Bernardo do Campo, que abriga um centro de ecoeficiência para a América Latina e projetos de educação socioambiental, desenvolvimento comunitário e de reflorestamento; o programa Sementes do Amanhã, que envolve mais de seis mil estudantes do ensino fundamental da rede municipal de Guaratinguetá em quatro projetos educativos, dentre muitos outros.
Ao que parece, o número de consumidores que exigem uma postura correta das empresas cresce a cada dia e a tendência é que seja cada vez maior.
Esse comportamento é muito positivo, afinal, nos dá a esperança de que o homem consumidor do futuro, ao contrário do que sugerem algumas literaturas sociológicas, pode contribuir muito para promover o desenvolvimento de um comportamento mais consciente e impulsionar uma conduta mais responsável das empresas.