Revista Ambiente Urbano - Ano 3- nº25- Maio de 2008
Escrito por Inara Jacqueline
Vivendo em um mundo à parte
Como a síndrome de Asperger pode comprometer a convivência em sociedade
Quando se fala em manter em equilíbrio o meio onde vivemos, vários fatores são levados em consideração, tais como o controle da poluição do ar, do solo e o descarte correto de resíduos. No entanto, não podemos nos esquecer de que a sociabilização pertence a um desses fatores que influenciam a qualidade de vida nos ambientes urbanos.
Poucos sabem, mas existe uma síndrome capaz de comprometer o bom relacionamento em sociedade: é a chamada síndrome de Asperger. Este transtorno faz com que algumas pessoas não consigam ter uma convivência social bem sucedida, ou seja, pessoas que desconhecem a doença podem não compreender o comportamento dos portadores da síndrome de Asperger que, geralmente, têm dificuldade em mudar e aceitar opiniões.
Devido a um comprometimento do sistema nervoso central, a pessoa com a síndrome tem sérios distúrbios que devem ser tratados assim que a doença for descoberta. Os portadores já nascem assim e a manifestação da síndrome evolui com o tempo; por isso, recomenda-se que o tratamento seja feito desde o início do diagnóstico.
As primeiras pesquisas da doença foram feitas em 1943, pelo psiquiatra austríaco, Hans Asperger, mas apenas em 1994, nos Estados Unidos, ela foi classificada como uma disfunção psicológica, recebendo, portanto, o nome de síndrome de Asperger.
A característica marcante dos portadores dessa síndrome é a dificuldade de sociabilização. Além disso, outros aspectos comuns são a falta de empatia, a interpretação extremamente literal das coisas, dificuldades com mudanças e novidades e a falta de reciprocidade emocional e social. Essas pessoas também costumam não manter um contato visual durante uma conversa, possuem interesses diferentes e, algumas vezes, passam a viver em um mundo à parte, longe da sociedade comum. Em grandes cidades, onde o estresse, a correria do dia-a-dia e mudanças de rotina são corriqueiros, esses sintomas podem se agravar.
Tratamentos
Para tratar alguém com Asperger, a melhor e mais indicada forma é levando-o a um especialista. Um médico ou psicólogo poderá indicar o tratamento mais indicado para melhorar a convivência da pessoa em sociedade, já que a cura é impossível. Infelizmente, em muitos casos a síndrome é tardiamente diagnosticada, no entanto, o quanto antes o tratamento for iniciado, melhor será a convivência do portador de Asperger.
O tratamento implica em um nível terapêutico, educacional e social e a linguagem corporal é ensinada da mesma maneira que uma língua estrangeira. Todos que tenham contato com a síndrome de Asperger devem saber da gravidade do problema e buscar entender seus pontos fortes e fracos, para que os tratamentos possam fazer mais efeito.
Educação
Por mais que possam passar despercebidos no ensino regular, já que esta doença não é caracterizada por traços visíveis - como no caso da síndrome de Down, por exemplo - lidar com o aprendizado dos portadores de Asperger exige alguns cuidados. Algumas vezes, eles passam a impressão de que estão entendendo tudo, mas no fundo não estão. Segundo a educadora e coordenadora pedagógica do AMA (Associação Amigos do Autista), Marli Bonamini Marques, uma criança matriculada no ensino regular pode dar muito trabalho no que diz respeito ao seu comportamento. “Ela fala, tem fixações, parece inteligente, mas pode não ser, passando despercebido por ter padrões muito altos de desenvolvimento em certas áreas e em outras ter um desenvolvimento muito baixo” explica.
Na educação dos portadores de Asperger é importante que os educadores mantenham uma rotina na sala e jamais utilizem uma linguagem figurada ou sarcástica, para não gerar um mau entendimento do aluno. Quanto mais simples e concreta for a linguagem, melhor será o aprendizado.
É fundamental que os educadores consigam identificar as diferentes maneiras e comportamentos desses estudantes. A melhor forma de ensiná-los é com afeição e compreensão, pois a atitude emocional do educador influencia inconscientemente o comportamento da criança. “Se for tratado com uma abordagem correta, eles têm potencial para se desenvolverem muito mais rápido, com menos problemas de comportamento e, com isso, a inclusão ser mais favorável”, finaliza a educadora.
Curiosidades
Alguns estudiosos afirmam que muitas personalidades da história poderiam ter sofrido da síndrome de Aspeger. Entre eles, estão o físico Isaac Newton, o político Thomas Jefferson, o compositor Mozart, o escritor Henry David Thoreau, o escritor Mark Twain, o pediatra e descobridor da síndrome Hans Asperger, o cineasta Alfred Hitchcock, o pintor Van Gogh, o cientista Albert Einstein, o matemático John Nash, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, o empresário Bill Gates, o filósofo Sócrates e o pintor Michelangelo.
Por mais que a síndrome possa prejudicar as relações interpessoais, os portadores também podem ser extremamente concentrados e inteligentes em diversos aspectos, desde que exista o interesse, pois o foco da pessoa pode ser totalmente direcionado para um único ponto.
Dica de leitura
Editora Larousse lança no Brasil livro que aborda a síndrome de Asperger
“Olhe nos Meus Olhos” é uma autobiografia de John Elder Robison, portador da Síndrome de Asperger e responsável por criar efeitos especiais da guitarra de Ace, do grupo Kiss. Robison conta, de forma bem humorada, como é conviver com a síndrome. Desde criança, John Robison tinha dificuldades em relacionar-se com outras pessoas. Na adolescência, os problemas se agravaram e, somente aos 40 anos, Robison descobriu que era portador de Asperger.
Essa súbita compreensão transformou a maneira como Robison se via - e como via o mundo. Atualmente, John Elder Robison, vive com sua esposa e filho em Amherst, Massachusetts, e possui uma empresa que conserta e restaura carros europeus, a JE Robison Service.
Olhe nos Meus Olhos Editora: Larousse do Brasil Autor: John Elder Robison Tradutor: Julio de Andrade Filho e Clene Salles Páginas: 256 Preço: R$ 19,90
Maiores Informações
Para mais informações sobre a Síndrome de Asperger, acesse o site da Ama (Associação Amigos do Autista): www.ama.org.br