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Revista Ambiente Urbano Revista Ambiente Urbano - Ano 3 - nº26 - Junho de 2008
Autor Escrito por Fernanda Correia
 
Todo dia é dia de celebrar o meio ambiente
No dia 05 de junho, o mundo celebra o Dia do Meio Ambiente. Vamos cuidar para que esta data não fique só no calendário e seja inserida em nossa vida cotidiana.

Todo dia é dia de celebrar o meio ambiente 

Muito tem se falado sobre a importância em preservar o meio ambiente e buscar melhorias para as regiões degradadas. Este debate tem a tendência de se tornar mais intenso neste mês, quando são realizadas as comemorações da Semana e do Dia do Meio Ambiente (05 de junho), data que, cada vez mais, entra para o calendário de eventos das empresas, das escolas e do próprio governo, com o intuito de reforçar o compromisso de cada um com o planeta.

Claro que comemorações dessa natureza são sempre muito positivas; no entanto, temos que nos atentar para que a importância do tema não seja reduzida a uma série de eventos e debates que não chegam a resultados práticos. As questões ambientais não podem mais ser tratadas como uma moda passageira ou como uma bandeira política, lembrada somente em épocas de campanhas eleitorais. É preciso uma nova mentalidade ecológica, que perceba a conexão de tudo que está ao nosso redor.

Talvez por sermos herdeiros de um modelo de vida mecanicista, temos dificuldades de enxergar que fazemos parte de uma grande rede, onde tudo se interage, e a nossa visão fragmentada do mundo nos posiciona à parte dessa interação e, conseqüentemente, da natureza. Por isso, consideramo-nos livres para explorá-la como bem entender, sem a preocupação em adotar uma postura estratégica e sustentável de produção e consumo.

É preciso repensar mais que urgentemente esse atual modelo civilizatório, e as comemorações ambientais podem ser uma boa oportunidade para isso. Não só plantar uma árvore ou colocar faixas e cartazes lembrando a data; mais que isso, a Semana do Meio Ambiente é uma época propícia para reunir pessoas dispostas a encontrar saídas e soluções que contribuam para o desenvolvimento sustentável.

Em tudo em todos

Há quem acredite que adotar uma postura ecológica é tarefa exclusiva para um grupo de pessoas - os chamados ambientalistas - e quem não faz parte deste grupo não precisa se preocupar em cuidar do meio ambiente. Os noticiários mostram cada vez mais a crise que o nosso planeta vem enfrentando - pelo que tudo indica, por conseqüência de nossos atos degradantes - e, ao tomarmos conhecimento desta crise, todos nós devemos assumir a nossa co-responsabilidade por tudo que está acontecendo, pela nossa vida e pela vida de outras espécies.

Há também quem separe o meio ambiente de todo o resto, como se fosse um tema que não faz parte de sua vida. Hoje em dia não é mais possível pensar assim. Sabemos que o meio ambiente deve permear todas as áreas, de forma transversal, principalmente quando o assunto está relacionado ao desenvolvimento econômico. O físico Fritjof Capra alertou certa vez que "a sustentabilidade só pode acontecer se for implementada simultaneamente em diversas áreas".

Hoje não é mais possível ignorar que todas as ações e tomadas de decisão devem considerar com grande peso as questões ambientais. Afinal, se pararmos para pensar, tudo o que consumimos e que faz parte deste mundo em que vivemos são derivados de recursos naturais - como plantas, petróleo, minério etc.. De acordo com a antropóloga e coordenadora de Meio Ambiente da Unipaz, Nicole Roitberg, nós não enxergamos o que há por trás de tudo que está ao nosso alcance para o consumo porque não fomos ensinados a ter este olhar. "As pessoas são educadas para serem inseridas em um mercado de produção e consumo, de uma economia que não leva em conta a sustentabilidade ambiental; por isso não percebem os processos. Antes de pegar uma sacolinha plástica no supermercado, por exemplo, é importante imaginar que aquele produto não vem pronto. Ele tem uma trajetória, uma série de impactos nesta trajetória e um processo. Nós não estamos acostumados a enxergar os produtos desta forma. Só percebemos quando ele está na fase final, pronto para o consumo". Essa falta de percepção do processo como um todo, como exemplifica a antropóloga, certamente nos leva a uma crise de percepção da realidade, que acaba atingindo diferentes áreas da vida. "Não só o meio ambiente, mas a saúde, a educação, a economia etc.", finaliza.

Portanto, segundo Capra, o segredo é adotar um olhar ecológico em tudo que se faça, ou seja, um arquiteto pode construir de forma sustentável, um professor pode educar seus alunos a ter essa visão sistêmica, um negociante deve inserir a responsabilidade socioambiental em suas decisões, enfim, cada um de nós, pode contribuir de alguma maneira para formar uma grande rede equilibrada ecologicamente.

Boas e Acessíveis idéias

Já tem muita gente se unindo para mudar a atual realidade do planeta. Empresas, governos, ONGs e até mesmo iniciativas pessoais no mundo todo começam a atuar para esta necessidade e passam a desenvolver ações, algumas até bem criativas, provando que é possível sair do discurso e colocar em prática os conceitos ecologicamente corretos, sem que seja necessário muito esforço. A seguir, você conhece algumas boas idéias que estão sendo praticadas em vários países, inclusive aqui no Brasil:

Soluções para o trânsito e para melhoria do ar

Imagine um carro que você pode dirigir e depois devolver em um ponto em comum para outra pessoa usar depois? Isso já é possível em alguns países da Europa e nos Estados Unidos, que adotam o carro compartilhado ou car sharing. No Estado da Califórnia (EUA), por exemplo, o usuário aluga um veículo e o utiliza pelo tempo que precisar. As reservas são feitas pela internet ou por telefone e, com um cartão magnético, o usuário retira o carro em uma vaga - próxima de sua residência ou trabalho - e depois o devolve no mesmo lugar. O motorista ganha tempo, ajuda a diminuir a poluição, o tráfego e ainda economiza, pois não precisa se preocupar com combustível, revisões, documentos e outros gastos.

Soluções para o trânsito e para melhoria do arClique na foto para ampliar.

Um outro bom exemplo adotado pelos Estados Unidos, Canadá e alguns países da Europa é a carona solidária. Nestes lugares, carros que levam duas ou mais pessoas contam com vias exclusivas. Em São Paulo, foi promovida, no dia 28 de maio, uma campanha incentivando a carona solidária.

Certamente que só essa iniciativa não é suficiente para acabar com os congestionamentos e a poluição do ar. Com investimentos em transporte público, melhorias na infra-estrutura viária e a colaboração da população, problemas como engarrafamentos e poluição serão amenizados na vida de quem mora nos grandes centros urbanos.

Não serve mais? passe adiante!

A Freecycle Network é uma rede que une pessoas do mundo inteiro com um objetivo em comum: passar adiante aquilo que não lhes serve mais. A rede é uma prova de que a troca solidária é possível. Além disso, quem participa incentiva o reúso de objetos que antes teriam como destino os aterros ou lixões. Qualquer pessoa pode doar ou receber ao cadastrar- se no site www.freecycle.org. Basta entrar no grupo do país e da cidade onde vive. No Brasil, são cidades participantes: Brasília, Curitiba, Niterói, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Uberlândia.

Em nosso país existem muitas iniciativas desta natureza. A própria cidade de São Paulo já conta com algumas feiras de troca realizadas, geralmente, aos finais de semana. Em um sábado por mês, o bairro do Glicério recebe uma feira que possibilita o contato entre quem quer doar objetos e quem quer receber.

Não serve mais? passe adiante!Clique na foto para ampliar.

Para participar é bem simples: basta comparecer no dia da feira e procurar a associação "Minha Rua Minha Casa" para fazer a troca do objeto pela Miruca, moeda que é utilizada para a comercialização local. Para saber os dias em que a feira é realizada, informe-se no (11) 3208-5096.

Sustentável até na hora de se vestir

A consciência ecológica chegou ao setor de vestiário, já que a indústria têxtil figura entre as quatro que mais consomem recursos naturais, de acordo com a Environmental Protection Agency, órgão americano que monitora a emissão de poluentes no mundo.

Desde então, o setor vem realizando uma série de testes e pesquisas até encontrar formas de produção menos nocivas ao meio ambiente. Um desses exemplos é o algodão orgânico. Produzido sem o uso de pesticidas, fertilizantes químicos e reguladores do crescimento, este tecido é colorido com pigmentos naturais, o que torna o produto totalmente sustentável.

A fibra de bambu é naturalmente antibactericida, biodegradável e extremamente macia, qualidades que favorecem muito o seu uso na confecção de tecidos.

Até a garrafa PET vem sendo utilizada na produção de fibra de poliéster. A partir daí, obtém-se um tecido resistente que, ao ser misturado com o algodão, ganha caimento perfeito para a produção de camisetas, calças e até mesmo paletós.

Sustentável até na hora de se vestirClique na foto para ampliar.

Por ter uma aparência semelhante a do linho, a juta vem ganhando espaço no mercado têxtil. O seu cultivo é simples - sendo feito só com o uso de água - e a grande qualidade é que se trata de um material biodegradável, pois é uma fibra natural, assim como o sisal e o algodão.

É muito bom saber que o mercado dos produtos ambientalmente corretos está crescendo. No entanto, não podemos nos deixar levar pelo consumo desenfreado, afinal, a moda é um setor que estimula a troca e o descarte constante de peças por outras da estação seguinte. Se falamos em sustentabilidade, o bom senso é fundamental neste setor!

Maiores Informações

Livros indispensáveis:

A Teia da Vida - Fritjof Capra (Editora Cultrix) Este livro nos convida a enxergar outros níveis de consciência, despertando a busca de uma melhor compreensão da realidade que vivemos.

Os Desafios da Sustentabilidade: Uma Ruptura Urgente - Fernando Almeida (Editora Elsevier) O autor propõe caminhos para a mudança após uma análise da crise ambiental em que nos encontramos atualmente.

Liderança e a Nova Ciência - Margaret J. Wheatley (Editora Cultrix) Esta obra descreve como a nova ciência altera a atual compreensão que temos do universo e nos mostra como podemos trabalhar juntos em tempos caóticos.

Artesão do Meu Futuro - Paulo Rathunde (Editora PM21)
Neste livro, o leitor é convidado a refletir sobre as atuais condições de vida no planeta e sobre como o conjunto de forças pode promover as mudanças que desejamos.

Onde encontrar moda sustentável:

1001 Retalhos - www.1001retalhos.com.br
Amazon Life - www.amazonlife.com.br
Ciclo Natural - www.cicloambiental.com
Coexis - www.coexis.com.br
E-Fabrics - www.e-fabrics.com.br
Goóc - www.gooc.com.br
Nara Guichon - www.naraguichon.com
Natural Fashion - www.naturalfashion.com.br
Projeto Terra - www.projetoterra.com.br
Será o Benedito - ww.seraobenedito.com.br
Tekoha - www.tekoha.org

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