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Revista Ambiente Urbano Revista Ambiente Urbano - Ano 3- nº27 - Julho/Agosto de 2008
Autor Escrito por Inara Jacqueline
 
Isopor: É possível reciclar?

Ultimamente, muito tem se falado sobre reciclagem e a importância em descartar corretamente diversos materiais, tais como vidro, papel, alumínio e plástico, no entanto, alguns resíduos ainda geram dúvida no momento do seu descarte. Certamente o isopor é um deles. Você sabe o que deve ser feito com este material após a sua utilização, para que ele não vá parar em locais inadequados?

O isopor, também conhecido como Poliestireno Expandido (EPS), é uma espuma formada a partir de derivados de petróleo e, por ser extremamente leve - composto por 98% de ar e 2% de plástico, resistente e de fácil manuseio, é muito utilizado para proteger ou embalar produtos.

O material é comumente encontrado em objetos como caixas térmicas, porta-mamadeiras e garrafas, baldes de gelo, pranchas esportivas e recipientes para alimentação, na construção civil, em capacetes, bóias e embalagens para remédios, como proteção para aparelhos eletrônicos e em maquetes etc. Por outro lado, quando não tem mais utilidade, o material também é considerado um dos maiores vilões dos aterros, pois ocupa muito espaço - levando à saturação dos mesmos - e não se decompõe facilmente, podendo levar mais de 500 anos para desaparecer na natureza.

Dificuldades

O desconhecimento de grande parte da população de que é possível reciclar este material pode ser considerado o primeiro obstáculo no descarte adequado.

O isopor é um plástico inodoro, que não contamina o solo, a água e o ar. Apesar de ser 100% reciclável e reaproveitável, podendo voltar à condição de matéria-prima, as dificuldades de reciclagem deste material são inúmeras, a começar pelo seu transporte.

Assim como a utilização do EPS é eficaz por ser um produto leve, fazendo com que sua condução seja mais barata e fácil, sua descartabilidade também está associada a esse fator.  “Embora o poliestireno seja tecnicamente reciclável, o fato de ser expandido, ou seja, aerado, torna seu transporte e armazenamento muito desinteressantes comercialmente”, explica a bióloga, educadora e consultora em minimização de resíduos, Patrícia Blauth.

Levar este material aos pontos de descarte onde podem ser reciclados é complexo, caro e envolve muitos agentes.

Outros materiais como o papelão ou o alumínio já contam com mais de 90% do seu total destinado à reciclagem, devido aos carrilheiros que têm interesse nestes materiais, mas o isopor não interessa a eles exatamente por ser leve.

No mundo todo, são consumidos anualmente cerca de 2,5 milhões de toneladas de EPS. Só no Brasil, em 10 anos, houve um aumento de 300% neste consumo, chegando atualmente a ser produzidas mais de 55 mil toneladas de isopor, mas somente menos de 5 mil toneladas são recicladas. “No nosso trabalho educativo, orientamos as pessoas a evitarem o material, pois as embalagens raramente são aproveitadas pelos consumidores e quase instantaneamente são transformadas em lixo”, diz Patrícia.

Seguindo as orientações da educadora, a melhor saída é evitar o consumo dos materiais em EPS, ou seja, quando comprar algo, peça sem o isopor. Ao tomar um cafezinho em local que só utiliza copos de isopor, troque o copo, ou troque você de fornecedor. Comprou uma geladeira? Explique no ato da compra que você quer que retirem o isopor após a entrega do produto. Hoje em dia há substitutos para o acondicionamento de equipamentos, como papel reciclado na forma de polpa moldada, como aqueles utilizados em caixas de ovos, por exemplo.

Reciclagem e Reaproveitamento

A reciclagem e o reaproveitamento do isopor podem acontecer de diversas formas. Uma delas, que vem sendo muito adotada, é a utilização na construção civil. O isopor pode ser aproveitado na fabricação de concreto leve, de tijolo leve poroso e de argamassa, entre outros.

O uso do EPS na construção civil torna o custo da habitação mais barato e colabora para o tratamento ambiental do resíduo. “Existem várias aplicações do material, que pode ser usado até mesmo para preenchimento de travesseiros e almofadas. Há também a reciclagem química, na qual o isopor é misturado com solvente para ser dissolvido e transformado em cola ou adesivo”, explica o presidente da Associação Brasileira do Poliestireno Expandido (Abrapex), Albano Schmidt.

Mas para que esse material seja reaproveitado, é necessário que o descarte seja feito corretamente. A população pode colaborar descartando-o nos Postos de Entrega Voluntária (PEVs) ou na estação de reciclagem mais próxima. Há também empresas que destinam corretamente o isopor, como é o caso da Abrapex. No site  www.abrapex.com.br é possível conhecer mais sobre os processos.

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